Partindo das principais investigações até agora dedicadas à obra de Ana Teresa Pereira, o presente estudo propõe um percurso interpretativo que aprofunde, com maior conhecimento de causa, aquilo que Gérard Genette considera o efeito rebound, ou seja, o processo dinâmico e criativo que se verifica, com cada vez maior incidência na literatura contemporânea, a partir da inspiração das artes visuais e do cinema, em particular, que se tornou a experiência primária da nossa modernidade, e cujas linguagens e estruturas narrativas são hoje perfeitamente reconhecíveis e descodificáveis ao nível do imaginário colectivo ocidental.
Nesta investigação pretende-se verificar o funcionamento da imagem através do conceito ictorial turn em três dos mais recentes livros da autora, a saber, As Longas Tardes de Chuva em Nova Orleães (2013), Neverness (2015) e Karen (2016) tendo como objectivo pôr em evidência como a visualidade representa, para a autora, um verdadeiro mecanismo de reactivação e transformação da memória em limiar do visível. A leitura crítica proposta, à luz da perspectiva de abordagem seguida, leva à consideração de uma Teoria do Autor pereiriano, nesta obra definida como Teoria del terzo incomodo.