O Limiar do Visível

Para uma leitura crítica de Ana Teresa Pereira

de Gaia Bertoneri 

Bertrand.pt - O Limiar do Visível
Editor: Edições Colibri
Edição: setembro de 2021
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Partindo das principais investigações até agora dedicadas à obra de Ana Teresa Pereira, o presente estudo propõe um percurso interpretativo que aprofunde, com maior conhecimento de causa, aquilo que Gérard Genette considera o efeito rebound, ou seja, o processo dinâmico e criativo que se verifica, com cada vez maior incidência na literatura contemporânea, a partir da inspiração das artes visuais e do cinema, em particular, que se tornou a experiência primária da nossa modernidade, e cujas linguagens e estruturas narrativas são hoje perfeitamente reconhecíveis e descodificáveis ao nível do imaginário colectivo ocidental.

Nesta investigação pretende-se verificar o funcionamento da imagem através do conceito ictorial turn em três dos mais recentes livros da autora, a saber, As Longas Tardes de Chuva em Nova Orleães (2013), Neverness (2015) e Karen (2016) tendo como objectivo pôr em evidência como a visualidade representa, para a autora, um verdadeiro mecanismo de reactivação e transformação da memória em limiar do visível. A leitura crítica proposta, à luz da perspectiva de abordagem seguida, leva à consideração de uma Teoria do Autor pereiriano, nesta obra definida como Teoria del terzo incomodo.

Excertos
«A figura da intrusa leva-nos a considerar a presença do terzo incomodo. Mas porquê falar duma terceira presença que incomoda? O corpus da nossa investigação demonstra como a autora consegue estabelecer uma relação com a/as memória/s cinematográfica/s, mas além da relação entre (1) o texto referido e (2) a reelaboração do mesmo insinua-se sempre (3) outro texto. Ana Teresa Pereira serve-se prevalentemente das memórias cinematográficas de A Streetcar Named Desire, Suddenly, Last Summer e The Glass Menagerie, de Tennessee Williams, para criar As Longas Tardes de Chuva em Nova Orleães, mas o texto que se insinua entre a referência e a criação literária é o conto Kiss me, Stranger, de Daphne du Maurier. Para escrever Neverness a autora refere-se principalmente à memória do filme La Prima Notte di Quiete mas o conto The Little Photographer, de Daphne du Maurier, medeia e assombra as memórias fílmicas de Le Notti Bianche e Black Narcissus e a novela Neverness. Ao passo que, para a redacção de Karen, a autora recorre à protagonista de O Verão Selvagem dos Teus Olhos, portanto ao fantasma de Rebecca, e ao mesmo tempo faz apelo à história do romance Rebecca, de Daphne du Maurier. Concluímos assim que no nosso corpus de investigação o terzo incomodo é representado pela referência aos dois contos e ao romance de Daphne du Maurier.»
p. 208

O Limiar do Visível
Para uma leitura crítica de Ana Teresa Pereira
ISBN:
9789896899233
Ano de edição:
09-2021
Editor:
Edições Colibri
Idioma:
Português
Dimensões:
159 x 229 x 16 mm
Encadernação:
Capa mole
Páginas:
242
Tipo de Produto:
Livro
EAN:
9789896899233

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