Cosme é um velho desmemoriado, à deriva no tempo: o filho de colonos em Luanda, o alferes debaixo de fogo nas Terras do Fim do Mundo, o retornado na Lisboa revolucionária. Mouzinho, antigo guerrilheiro angolano, julga-se um homem resolvido, coleciona citações e ensina aos mais novos que a guerra colonial também foi de libertação.
Cosme é branco. Mouzinho, negro.
Em tempos amigos de infância e adolescentes apaixonados pela mesma mulher, vivem em lados opostos de uma mesma história de violência: o colonialismo, a guerra, a descolonização. Uma saga que reconfigurou vidas, famílias e sonhos; o fim de um império que, sendo ferida, ainda não é cicatriz.
Depois de Revolução (vencedor do Prémio Fernando Namora), Hugo Gonçalves traz-nos um romance notável sobre a vida colonial e o seu colapso, desmistificando o passado na tentativa de questionar o presente.