Ao longo das décadas de 2010 e 2020, os Estados Unidos viram nascer, nos subterrâneos da Internet, uma nova contracultura política de direita radical. As suas figuras centrais, encabeçadas por Curtis Yarvin ou Nick Land, escrevem quase sempre sob pseudónimos em blogues e nas redes sociais. Chamaram a este movimento neorreação, ou Iluminismo das Trevas. As ideias que defendem são simultaneamente antigas e hipermodernas: destruir a democracia, instaurar uma monarquia, governar o Estado como uma empresa, restabelecer as desigualdades entre homens e mulheres, afirmar diferenças entre patrimónios genéticos… de início marginais, foram pouco a pouco ganhando o apoio de alguns bilionários de Silicon Valley, e a sua audiência não parou de aumentar desde então. Com a vitória de Donald Trump em novembro de 2024, consideram ter agora salvo-conduto para fazer da América o laboratório das suas propostas mais radicais.
Esta primeira análise do movimento evidencia a originalidade dos neorreacionários, ao mesmo tempo que os inscreve na longa história das ideias. Dá a ler os seus textos e permite perceber o que — se não estivermos atentos — poderá vir a ser o nosso futuro.