É um dos episódios que os Evangelhos registaram e
imortalizaram na nossa cultura. Nele se juntam todas as
paixões que levam o homem ao excesso: o adultério, o
incesto, a embriaguez de uma noite de festa em que Herodes
Antipas, filho de Herodes o Grande, perde a consciência e
manda executar o profeta João Baptista, que anunciara a
vinda de Jesus, para agradar a um capricho de Herodíade, a
mulher que roubara ao irmão para se casar com ela, num
acto que João Baptista condenara nos seus sermões. Mas a
figura que emerge desta sequência que também o historiador
hebraico Flávio Josefo, quase contemporâneo destes
acontecimentos, regista nas suas obras, é Salomé, cuja dança
em frente de Herodes motiva o pedido fatal. É o que basta
para a transformar num dos grandes ícones da pintura, da
música e da literatura de todos os séculos que se seguiram.