Beata, frígida, desgraciosa, sem espírito… Assim é descrita nos manuais de História, acrescentando que foi a sua falta de sedução que lançou Luis XV nos braços de numerosas amantes.
A verdade é totalmente outra, e fica-se estupefacto ao descobrir quem era na realidade a princesa polaca de um rei no exílio refugiada numa pequena aldeia da Alsácia que uma manhã fica a saber que vai desposar o rei mais poderoso da Europa.
Destino inimaginável para uma princesa sem dote e sem Estado, Cinderela feita Rainha da França! Por que milagre? Por que negociações secretas? O casamento inesperado releva do conto de fadas e o encontro dos jovens esposos na floresta de Morêt, não longe de Fontainebleu, é verdadeiramente um amor à primeira vista. Luís é subjugado pela graça, pela inteligência e pela doçura de Maria, que o ama loucamente. Seguem-se dez anos de ventura e fidelidade e o nascimento de dez filhos. Não sem provações: intrigas da Corte, política, guerras, favoritas reconhecidas… Maria é abandonada mas não perde a coragem, mantém a dignidade sem faltar aos deveres e obrigações de rainha e sem pôr em causa o que a desdenha e que ama em silêncio como no primeiro dia.
Com a ajuda de Deus e do trunfo essencial que os numerosos filhos representam, ultrapassa todos os sofrimentos e não desespera do regresso de Luís ao seio da família. Com o tempo, num final de vida emocionante e atormentada, acabará por ser ouvida.
Geneviève Chauvel, autora do best-seller Saladino e Rainha por Amor, dedicou mais de três anos à consulta de arquivos, documentos e correspondências que lhe permitiram ressuscitar essa rainha tão pouco conhecida a quem entre outras coisas se deve a união da Lorena à França. Antes dela, nenhuma outra morreu com a coroa. Injustamente caricaturada pela posteridade, comparada em vida à rainha Blanche, mãe de S. Luís, e aclamada pelo povo, que lhe chamava a "boa rainha"!