Viajar pela obra de Anna é de facto percorrer a sua obra e não catar os recantos da sua vida privada. É perceber a sua personalidade pela obra e não pelo detestável, execrável "voyerismo" invasor. É como passear por uma alameda tendo-a ao nosso lado, ouvindo os seus sonhos, as suas esperas, ânsias, as suas visões, desilusões, ouvi-la em gargalhadas ao ver nos seus desenhos, telas e poemas, todo um mundo que há em todo o mundo, mas que apenas só certas pessoas o conseguem exprimir e é essa forma de expressão que esculpe o artista.
É fascinante. Viajar é deambular por suas telas e ler. Ler nas entrelinhas, nas formas e nas cores. Na luz e sua ausência. É parar diante delas e ver Anna Veiga inteirinha, por vezes até muito despida, porque pintar com sentido, penso que é uma encantadora forma de se despir. Anna pintava com poesia e escrevia com seus pinceis, com suas cores.
Escreveu pintando seu mundo de amor e pintou esse mundo escrevendo. Quem lê os seus poemas vê a sua pintura. Quando vemos a sua pintura lemos os seus poemas. 20 | O Cosmos de Anna Veiga Anna dizia que sempre que agarrava nos pincéis e começava a sentir o cheiro das tintas, a inspiração começava a surgir; primeiro a medo, para depois explodir com força e paixão. A sua fonte de inspiração era tudo o que a rodeava: a vida e o amor. Viajar por Anna Veiga é deleite embora também mexa connosco, agite e acorde.
Vamos então seguir esta senhora, esta mulher, esta mãe e avó por estas páginas adiante, olhando-a bem nos olhos, na boca, nas mãos, enfim na sua expressão corporal, espiritual, sentimental com a ajuda das formas, das cores, das palavras das presenças e das ausências do gritar e dos silêncios. E vamos interpretá-la confortavelmente sentados da nossa honesta capacidade. Boa viagem!!!
Gonçalo Inocentes (Matheos)"