(…) poesia de facto amorosa-mais, muito mais que "romântica" - cada títulodo autor inscreve renovadamente na palavra de poesia o hábito do dizer/desfazer dos corpos e dos gestos pelos quais passa, e que a deixam dizer, uma disciplina genital do amor, sempre sem escamotear a raiz do seu homus eroticua, esse valor "etimológico" da origem masculina, indelével e obviamente incontornável, "matriz" final - e original - da sua escrita de homem e ser epidémica e visceralmente sexuado.(...) É na poesia do autor, sempre uma dança de machos (como o tango o é, no consabido dizer de Borges), em que cada movimento, cada passo, cada abraço tendem para um ajuste que só ganha feição definitiva no encaixe supremo, na interpenetração das carnes, aí quando o abrir de uma porta é afinal e sempre o fechar de cada porta. Tudo servido por um realismo da escrita que roça a um tempo esse "realismo da canalha" (...)