«O livro é uma recolha de estórias dos ílhavos, fixadas em texto, com o maior realismo possível, do falar muito próprio, diríamos único, daquelas gentes que fizeram história, levando e difundindo a sua cultura muito, singular e diferenciada, plena de saberes marítimos, litoral abaixo. Imunes a qualquer tipo de aculturação que a emboitasse.
É, no fundamental, uma explicação de cariz histórico para encerrar os longos anos de incessante busca da história das suas gentes.
O livro traz a prova da existência de duas comunidades (e não uma como vulgar e erradamente afirmado) bem diferenciadas, que estiveram na origem e afirmação de Ílhavo.
As sua origens e hábitos, cultura e postura, em que uma delas, provinda do interior norte, se dedicou à lavra, e foi a dominante até ao Séc XX; e a outra, a da beira lagunar, de origem moçárabe foi a dominada. Por isso, como acontece habitualmente, para se defender, a dominada cria o calão para a sua expressão de comunicação.
O livro O Calão no Linguajar dos Ilhos, tem por finalidade inserir, contextualizando, regionalismos, neologismos, ilhavismos, modos, expressões, e ou ate´, sonoridades de diálogos, parte do cardápio de uma microcultura, consolidada e recriada neste recanto lagunar, onde confluíram e se movimentaram, gentes vindas de muitas paragens, impregnadas de culturas claramente diferentes.
Fugindo ao registo dos ilhavismos tipo dicionário interpretativo, o livro ora editado insere perto de mil vocábulos em texto, vertidos em originais estórias. Enquadra-se, assim, na preocupação histórica ao longo de mais de vinte livros editados, essencialmente dedicados à historiografia das suas gentes.»