Este livro resulta de uma enorme depressão. Além de questões pessoais com o estado do mundo e as formas como a hegemonia nos conduz ao abismo, com as patranhas, mentiras descaradas e manipulações grosseiras. O domínio que é exercido sobre a cidadania que não tem meios para se defender, alienada que está pelo discurso único que nos é impingido pelo digital seja na forma televisiva, seja na cada vez menos séria e transparente, na versão escrita ou falada, sem sequer mencionar o lixo que é a subversão das redes sociais, ainda por cima altamente consumidoras de energia e neurónios.
Nele, por ele, atravesso os meus tempos, as minhas reflexões e acções, as minhas lutas, bordejo muitas situações, enfrentamentos que ganhei ou não, onde criei momentos que certamente deixaram algumas sementes e sentimentos. Mas, e agora, e agora apetece perguntar:
«Sozinho no escuro / Qual bicho-do-mato / Sem teogonia / Sem parede nua / Para se encostar / Sem cavalo preto / que fuja a galope / Você marcha, José! / José, para onde?»
Como Carlos Drummond de Andrade, somos todos o José!