Ao longo de cerca de vinte capítulos, António Castro traça um percurso pessoal e político pelos últimos cinquenta anos da história portuguesa, partindo do 25 de Abril de 1974 até aos dias de hoje. Mais do que uma narrativa histórica linear, este livro apresenta-se como um conjunto de apontamentos e reflexões sobre os momentos-chave da Revolução e das suas contradições: o fim da ditadura, os dias de esperança e os recuos marcados por episódios como o 11 de Março, o 28 de Setembro ou o 25 de Novembro.
O autor recupera ainda memórias do percurso democrático - da adesão à CEE ao surgimento das televisões privadas - e denuncia desigualdades persistentes, os impactos da Troika, a precariedade laboral e o empobrecimento de milhões. Sem esquecer o contexto internacional, das guerras no Leste europeu ao Médio Oriente, sublinha a importância da memória e da história para compreender o presente.
Num tom crítico e desencantado, mas profundamente empenhado, o livro desafia-nos a refletir sobre o que foi feito da esperança de Abril, alertando: sem memória, não há futuro.