Vivências e resistências LGBTI+ no Mato Grosso, epicentro do agronegócio e curral do bolsonarismo? E no Sertão nordestino, terra de "cabra macho"? Entre povos indígenas? Diante de arraigados clichês e estereótipos — e do nítido recrudescimento do conservadorismo —, pode ser grande a surpresa provocada pela leitura destes 24 artigos, sobretudo para quem não têm familiaridade com a recente onda de estudos sobre as sexualidades dissidentes no Brasil — lacuna que, pouco a pouco, entre teses, dissertações e militância, vai sendo preenchida.
O fenômeno se relaciona tanto à crescente influência do movimento LGBTI+ quanto à expansão das universidades federais.
Se, poucas décadas atrás, como aponta James N.
Green, a produção de conhecimento acadêmico sobre gênero e sexualidade era uma raridade no país, hoje está cada vez mais difundida.
Para refletir esse espalhamento, Paulo Souto Maior e Renan Quinalha organizaram os artigos deste livro em três fronteiras (históricas, territoriais e temáticas), expondo as formas pelas quais as pesquisas LGBTI+ avançam de Norte a Sul, da capital ao interior, do centro à periferia, com olhos no passado, no presente e no futuro, atravessando conceitos, rompendo barreiras teóricas, inovando em abordagens metodológicas e ampliando a compreensão sobre as dissidências de gênero e sexualidade no país.