Apesar da queda de Salazar, o país continuava embrenhado numa ditadura que cerceava a liberdade
e impedia o livre pensamento. Estávamos em 1968.
Um jovem, acabado de se licenciar em medicina em Lisboa, decide mudar-se para Moçambique após
se casar. País onde tinha passado a infância e grande parte da adolescência, indo ao reencontro dos pais
e de uma das suas irmãs. Procurava também novos horizontes, talvez mais amplos do que aqueles vividos
na então reprimida metrópole.
Foi colocado no Xai-Xai, capital da província de Gaza, cidade na altura denominada João Belo e
situada a cerca de duzentos quilómetros a norte de Maputo. Aí se manteve até 1976, com
responsabilidades nas delegacias de saúde da cidade e da Macia, capital do distrito do Bilene, bem como
no Hospital do Xai-Xai.
Numa linguagem despreocupada, informal e familiar, usando muitas vezes ditos e gírias populares
características da época e do local, narra o autor histórias pessoais verídicas, registando acontecimentos
pouco conhecidos do dia-a-dia da vida de um médico, num tempo particular, assistindo ao fim do tempo
colonial e ao nascimento de um novo País.
O que fazer perante um milando provocado por uma circuncisão forçada após o regresso a casa de
um mineiro vindo da África do Sul? Afinal, a autópsia feita no meio da rua, serviria para incriminar
alguém?
Estas e outras histórias, na forma de conto, que resultam de uma vivência completa como
médico, não apenas atendendo doentes num consultório ou observando numa enfermaria. Vivência que
ultrapassa a função de médico, numa preocupação constante para com a comunidade. Contos que o autor
nos oferece e que ajudam a compreender Moçambique de então.