Os Deuses abençoam todos aqueles que buscam a beleza das coisas. Mas não de uma beleza qualquer, talvez a beleza mais simples, que não se desvenda num primeiro olhar, aquela que se encontra na subtileza e nas múltiplas expressões da Natureza, no rasgar lento que habita o sorriso tímido de uma criança, no brilho que resplende no olhar de alguém, e que assim acende algumas das estrelas que julgávamos perdidas dentro de nós, mas sobretudo, aquela beleza interior que nos faz acreditar que ainda existe mundo, essa mesma que assinala a sua chegada, e desfralda bandeiras multicolores no solo acidentado da nossa existência.
Assim imóvel, percorrendo este momento de pura magia e de reencontro com a essência desta realidade, o tempo, nesse seu contexto cronológico e de medida, esvazia-se na sua importância, revelando-se unicamente na sua intemporalidade. Nesta conjugação de sensações, emoções e perceções, sinto-me como um rio navegado por histórias, em que as margens, são cenários de múltiplas palavras, que em lenta combustão produzem a cinza das mais significativas revelações.