Haverá muitas maneiras de olhar este novo livro de Luísa Freire: se monólogo é a palavra que a autora escolhe para o título, talvez poema dramático, o subtítulo, seja a informação mais significativa aqui. Podemos pensar desde logo em Fausto, de Goethe, um dos maiores poemas dramáticos de sempre, mas aqui a estória é outra - e no feminino.
Esta é a história de Penélope consigo mesma, na sua própria odisseia da espera, mas se aquilo que ela conta é do domínio da imaginação criativa, essa história paralela do que poderia ter sido, escrita que está em verso, confere à protagonista uma dimensão humanizadora.
Em suma, ao tentar perceber interiormente esta personagem incontornável da literatura mundial, Luísa Freire põe-nos, a nós leitores, também diante de uma janela no escuro, numa fábula poética que é metáfora para o decurso do tempo humano no mundo.