O autor deixa claro o seu intento quando, na introdução,
escreve que com esta obra «pretende contribuir para elevar
mais alto a auto-estima e o orgulho que os meimoenses
sempre demonstraram pela sua terra».
ANTÓNIO CABANAS É DUPLAMENTE FELIZ na forma como
realiza este propósito: por um lado, partindo em busca das
raízes mais profundas para explicar a Meimoa de hoje à luz
de um certo diacronismo histórico, ajuda à consciencialização
de uma identidade ancestral; por outro, pela forma
inteligente como se posiciona perante a sua comunidade alvo
de leitores. Atento ao meio que o rodeia, no qual faz questão
de se integrar, e senhor de um clarividente sentido da
realidade social, Cabanas nunca perde de vista o difícil
objectivo de conciliar uma informação rigorosa com a
condicionada diversidade dos seus destinatários, apelando à
sensibilidade de todos e de cada um, tocando as cordas nos
pontos mais convenientes para alcançar os seus desígnios. O
resultado é uma panorâmica multidimensional da aldeia, de
onde é possível extrair alguns dos quadros mais pitorescos
que marcaram a vida das nossas terras e aos quais um
discurso versátil e visual empresta o som e o colorido que
vivificam e nos devolvem o passado.