Em cada um de nós há uma Rute. Vivemos cada acontecimento numa dupla relação: umas vezes como algo que dominamos, outras como algo que nos ultrapassa, que não suportamos. A diferença está, no entanto, no modo como lidamos com ela. Uns, iludidos e rendidos ao terror cinzento do mundo do trabalho, nunca chegam a vê-la. Outros, preferem sonhá-la, logo que a censura diurna afrouxa e adormece. Outros ainda, preferem fazer amor com ela, e acordam de manhã com os joelhos todos fodidos num canto de uma rua qualquer. Enfim, é sempre bela, mas só de dia.