No Porto, o autocarro 21 percorre a sua rota como quem costura destinos. Dentro dele viajam mulheres marcadas por perdas, desejos, segredos e pequenos gestos de sobrevivência.
No centro deste mosaico está Ângela — morta há três meses — que observa, protege e liga as vidas que tocou: amantes, mães, filhas, amigas, desconhecidas.
Construído em fragmentos, este livro desenha uma comunidade feminina onde o amor e a culpa se ramificam, onde a cidade escuta, e onde até a morte encontra lugar para falar. E nesta teia de ligações femininas, um papel muda de mãos, um crime pede resposta, um corpo aproxima-se do perigo.
Quando o autocarro trava à beira do desastre, revela-se o retrato final: um instante suspenso de espanto, alívio e pertença.