Originalmente, o autor chamou-lhe "A Verdadeira História de Clóvis", mas o texto andava tanto à roda de uma memória que teima em conservar-se fresca, que o escritor só podia lembrar-se de tudo como se, de facto, tivesse acontecido na semana passada… Acontece é que a Lisboa dos anos 50 e 60, que serve de cenário à história, era ela própria uma ficção social, política, humana. Narrativa subtil e contidamente aventurosa (aventurosamente amoral, a preconizar o que por aí vinha), mostra Seabra nas suas sete quintas de escritor: a sua (dele) cidade e as suas (dela) gentes raramente terão estado em corpo tão inteiro e fulgurante.