Tomando como fulcro exemplares de catálogos de leilão de bibliotecas portuguesas ou relacionadas com Portugal, e restrito aos impressos, este ensaio ilustra a actividade leiloeira e seus agentes desde o século XVIII. A primeira biblioteca conhecida levada à praça pública é a de D. Francisco de Almeida, com leilão em Lisboa, em 1745. Baseada no improviso até finais do séc. XIX -quando Inocêncio Francisco da Silva elabora o Dicionário Bibliográfico Português- a actividade leiloeira assiste a uma progressiva especialização, bem testemunhada pela figura do livreiro e do antiquário: João Pereira da Silva, os irmãos José e Manuel dos Santos, João Coelho e, mais tardio, durante o século XX, Arnaldo Henriques de Oliveira que preparou várias centenas de bibliotecas para leilão. Patente fica a evolução deste comércio face ao coleccionismo, com seus gostos e mecanismos. Eruditos e bibliófilos antigos e mais modernos, de diversas profissões e actividades -comerciantes, políticos, homens de ciência, artistas, autodidactas e simples curiosos. Destacam-se os catálogos de livros portugueses vendidos no estrangeiro, como o da biblioteca de Junot, e em Lisboa, Porto, Coimbra, Braga, Évora, Tomar e Açores. Publicação ilustrada por catálogos, listas de preços e obras raras adquiridas em leilão pela Biblioteca Nacional.