A imagem mais conhecida de Borges é a de um homem cego, um decano das letras em cuja escrita a emoção era subjugada pelo jogo das ideias. No entanto, Borges, que nasceu em Buenos Aires, em 1899, só ficou efectivamente cego nos anos 50 do século passado, e nas décadas anteriores à sua doença e antes ainda de os seus livros serem traduzidos para várias línguas e de se tornarem internacionalmente famosos, Borges escreveu, amou e envolveu-se em polémicas locais de uma forma apaixonadamente aventureira. Neste estudo, Jason Wilson explora a vida tumultuosa do jovem Borges nas ruas e nos cafés de Buenos Aires e traça o mapa das suas amizades literárias, dos seus casos amorosos e das suas viagens. Borges afirmava nunca ter inventado nenhuma personagem: "Sou sempre eu, subtilmente disfarçado". Esclarecendo as relações que se podem estabelecer entre a biografia e as ficções, Wilson recorda-nos que Borges foi sempre um poeta cuja vida era recriada no seu trabalho - mas nunca de uma forma confessional - e restaura as suas origens argentinas.