Um livro sobre o lado negro dos Mundiais. As histórias mais incríveis
do futebol mundial. Com prefácio de Paulo Futre.
«Se perderem por quatro golos contra o Brasil, não voltam a ver as
vossas famílias.»
Mobutu, ex-presidente do Zaire, dirigido aos jogadores da selecção
zairense, Junho de 1974 Mundial de 1974, Gelsenkirchen, Alemanha. O
Brasil enfrenta o Zaire e precisa de ganhar pelo maior número de golos
para se apurar para a fase seguinte. Minuto 79. O marcador está 3-0 a
favor dos brasileiros. Livre directo para o Brasil à entrada da área.
Rivelino prepara-se para bater a bola. Ilunga está na barreira do Zaire. O
seu colega olha para ele e diz: «Vê se não há qualquer buraco nesta
barreira ou vamos todos ter problemas.»
Ao olhar para Rivelino e ouvir estas palavras, Ilunga entrou num estado
de desespero, medo e ansiedade. Nessa altura acontece um dos
momentos mais insólitos da história dos mundiais de futebol. Ilunga sai
da barreira e pontapeia a bola antes que o jogador brasileiro o faça.
Levou um cartão amarelo e foi alvo da chacota generalizada. O que
ninguém imaginava era que aquele acto ridículo se devia a um jogo de
vida ou morte. Literalmente.Esta história, passada há 40 anos, é uma das muitas que ilustram o lado
sombrio do futebol. É desse lado negro, mas também do contraponto
heróico que muitas vezes dele emerge, que este livro nos fala, passando
em retrospectiva quase um século de Mundiais de futebol. De Sindelar a
Hitler, de Eusébio a Salazar, de Sócrates a João Havelange, de
Maradona a Romário e Drogba, com passagem pelo «caso Saltillo».