Nesta reunião de livros e artigos, Sergio Miceli examina o Brasil e suas elites intelectuais de um ângulo original, através de uma narrativa extremamente expressiva. Munido de um fértil instrumental sociológico, disseca a trama de relações pessoais e políticas que sustenta as estratégias de actuação de sectores das camadas dirigentes do país.
O alvo da análise são os pré-modernistas e modernistas - cronistas, poetas, romancistas profissionais e literatos de diferentes cepas que actuaram na República Velha e no período Vargas - Lima Barreto, Manuel Bandeira e Mário de Andrade, entre vários outros. O intérprete propõe uma sociologia da vida intelectual brasileira sensível às imbricações das biografias com a dinâmica político-cultural e mostra como as experiências mais íntimas e pessoais reverberam na obra produzida. Examina ainda duas experiências institucionais decisivas: o Conselho Nacional de Educação e o Serviço de Património Histórico e Artístico Nacional.
Miceli também expõe os bastidores da interpretação, compartilhando com os leitores o embate do pesquisador com os seus materiais e a emoção da descoberta, que compõem, como ele diz, o "transe do processo de investigação".