O Instantâneo é um poema kaligráfico: grafa belamente o instante que é o presente intemporal, ou seja, sem passado e sem futuro: sem duração. A brevidade do instantâneo, independentemente da sua dimensão espácio-temporal, sugere o indescritível sabor do instante, do passado sem rasto e sem réplica. Em suma, o instantâneo é um flash kaligráfico.
A matriz dos Instantâneos foi um kaleidoscópio realista: não continha cacos de vidro variegados. A substância das rosáceas coloridas, geométricas e simétricas que o jogo de espelhos inventava, era o mundo exterior. A poesia instantânea, que culto e cultivo é uma metáfora literária desse kaleidoscópio.