Não é a primeira vez que Guilherme Figueiredo, o antigo bastonário da Ordem dos Advogados, edita poesia. É conhecido o seu gosto pela arte da palavra, quer como leitor de outros poetas quer como escritor. O presente volume, na verdade um pequeno livro de 20 poemas e 7 ilustrações de Manuel Casal Aguiar, é uma caixa de boas surpresas.
Atente-se no início do seguinte poema:
A confeitaria do Senhor António / não é do Senhor António / sempre ao balcão - nunca vai às mesas / aquele dedo mindinho oculto / sobre o prato da balança e aquele sorriso / um gozo que rejuvenesce / um fiambre que fica aquém do peso / de uma vida.' […]
Jogos da vida, dias sombrios, lavras em terra seca, florilégios: de muitas imagens e palavras se faz este livro de poesia de Guilherme Figueiredo. Uma poesia ossada e encarnada, robusta na sua delicadeza.