Em livro preciso, Lilia Moritz Schwarcz analisa o fenómeno social e cultural da branquitude a partir das suas manifestações simbólicas e iconográficas.
"Ninguém lê livremente e sem as lentes e códigos da sua cultura." A maneira pela qual as imagens nos afectam é condicionada por esquemas visuais - em geral nada inocentes - que nos foram transmitidos, e que carregam uma interpretação específica daquilo que é representado.
Em Imagens da branquitude, Lilia Moritz Schwarcz analisa uma iconografia múltipla, do século XVI ao presente, passando por mapas, monumentos públicos, fotografias, publicidade, e, a partir do exame detido desses testemunhos, identifica como são atravessados por práticas racistas, procurando "desnaturalizar" essas concepções.
Muito mais do que uma análise meramente iconográfica e recortada, esta é uma história, na longa duração, de como a branquitude se manifestou simbolicamente, em especial por meio da visualidade, de modo a estabilizar um ambiente de hierarquização ou estruturas de subordinação.
A presença forte mas racialmente ausente dos brancos nesses registos visuais, com o decorrente pressuposto de que seriam o normal ou o intrinsecamente dominante, assoma como ponto central deste livro necessário, que nos convida a olhar para essa produção imagética e fazer o exercício de a ler na contramão.