A televisão ocupa o centro da vida quotidiana moderna. Quase tudo acontece na televisão ou por causa da televisão. O que não aparece no pequeno ecrã é como se não existisse. A política é desse processo o exemplo maior. E, por isso, há já quem fale de democracia televisiva. Poucos podem, hoje, prescindir da televisão. Porque é uma fascinante janela aberta sobre o mundo. Ela proporciona divertimento e informação, companhia aos solitários e viagens aos sonhadores. Nela nascem, crescem e morrem praticamente todas as polémicas, políticas e mundanas, que animam os dias que vivemos. Poucos são os que a fazem e milhões os que a vêem. João de Almeida Santos não faz crítica de televisão. Coloca-se, em toda a sua reflexão, num lugar exterior que lhe permite ver em simultâneo a televisão e o espectador. A partir dessa posição, analisa, desmonta e aprofunda a lógica desse mecanismo fantástico que comanda a recriação televisiva do real, até chegar a uma conclusão: a televisão já não é entretenimento ou informação. É pura ideologia.