Na década de cinquenta do século XX, ao oferecer ao Município Ponta-delgadense a estátua que evocava o navegador Gonçalo Velho para a praça fronteira às Portas da Cidade, o Governo suscitou uma acalorada polémica na sociedade micaelense e criou um imbróglio que subsiste, até ao presente, à volta daquela mal-amada obra de arte: - Quem é a personagem realmente evocada na estátua? E as interrogações sucedem-se em catadupa: - Se aquele não é o Gonçalo Velho, então, quem é ele? - Houve alguma troca de estátuas (como é voz corrente e persistente há mais de meio século)? - E, se tal aconteceu, onde está então a outra estátua?
Curiosamente, esta suposta estátua do Comendador de Almourol aponta para si mesma, como que a interrogar-se, duvidando da própria identidade: - Mas… quem sou eu?!... Um gilvaz - palavra que significa golpe ou cicatriz da cara e titula o livro das "venturas e desventuras de mui ilustres figuras" - é a chave do deslindamento, que se crê bem-sucedido, do imbróglio centrado na oferta, incómoda e inoportuna, do Estado Novo a Ponta Delgada para o embelezamento de um novo espaço no coração desta urbe, velha de cinco séculos.