Friedensreich Hundertwasser (1928-2000) é, antes de mais, um artista que modelou o seu génio criativo tanto na pintura como na arquitectura. As
suas obras não se destacam pelas inovações técnicas, mas sim graças à audácia das suas propostas: os famosos telhados cob ertos de vegetação
protegem o homem e mantêm uma estreita colaboração com o meio ambiente; o "direito de janela", que Hundertwasser solicita para todos os
habitantes é uma reivindicação para que o homem se deixe levar pela criatividade em harmonia com a natureza: "Para mim, o mais importante não é
nem a construção nem as paredes, mas sim as janelas, por detrás das quais vive gente. A casa é feita de janelas, são elas que a constituem. Quando
são adequadas, a casa é perfeita. Há que começar a erguer um edifício pelas janelas que são a ponte entre o interior e o exterior. Assim como os
poros perfuram a epiderme, as janelas atravessam a pele do edifício. As janelas equivalem aos olhos". Os seus discursos e manifestos, por vezes
incompreendidos, teimaram em sublinhar os contributos da natureza e anteciparam soluções precisas para o futuro do meio ambiente.