Este livro foi publicado por ocasião da exposição Flores e Outras Pinturas, de Luís Paulo Costa, na Galeria 111, em Lisboa, de 11 de Janeiro a 8 de Março de 2025.
O trabalho de Luís Paulo Costa inscreve-se num território onde a visibilidade e a invisibilidade não são lugares estáveis e definitivos, o que se vê pode ser afinal outra coisa. A pintura desenvolve-se como corpo, como pele que se esconde e se mostra simultaneamente. Conceitos como simulacro, antecipação, desilusão e inacessibilidade são transversais à sua obra. As suas pinturas, muitas vezes incorporadas de forma escultórica, parecem apresentar-nos as coisas na sua realidade silenciosa, inacessível à mediação e, por isso, as suas obras parecem sempre apresentar a construção de uma espécie de silêncio necessário.
Todo o seu trabalho é de natureza pictórica, as questões envolvidas são as do campo da pintura, da imagem, construída e apresentada de modo fragmentado. O que está presente e é proposto é tão importante como o que fica de fora e apenas sugerido. Não há uma hierarquia entre centro e periferia, a importância destes valores é alternada entre um e outro. O que fica e está é tão importante como o que espoletou essa presença e ficou de fora. Mesmo que faltem algumas partes ainda é possível contar uma história.