O tema da mulher casada que se enamora de um jovem e que, ao ser rejeitada, o acusa falsamente ao marido, é frequente nas lendas e na literatura. O mito de Fedra já havia sido tratado por Sófocles e por Eurípides, antes de Séneca, que é o autor do primeiro tratamento latino do tema. Aqui, Fedra, casada com Teseu, é uma rainha virtuosa, que se apaixona pelo enteado Hipólito. Apesar de se sentir atormentada pela ignomínia da paixão que a consome, depois de revelar os seus sentimentos à Ama, ela declara-se a Hipólito. Horrorizado, ele rejeita as propostas que lhe são feitas. Fugitivo e inocente, é ferido mortalmente por um touro. Fedra, ao matar-se com a espada de Hipólito, apropria-se simbolicamente do ser amado. A união que não conseguira em vida, consegue-a na morte.