«A liberdade que a poesia nos oferece está em nos ensinar a conviver com as cores violentas da vida. Há mais de um século, as experiências pictóricas de Henri Matisse, André Derain, Georges Rouault e Albert Marquet, entre outros, nos fizeram abrir os olhos para a ferocidade das coisas. Quem contemple o mundo como algo em apenas algumas dezenas de tons de cinza perderá, enfim, a chance de admirar-se. (E admirar-se é não apenas o início da filosofia, mas também de toda a sorte de prazer estético). (...) Pois é assim na poesia de Paulo Ferreira da Cunha. Sua voz inconfundível (posso ouvi-la ao ler os versos), gentil e elegante, vem em cores verbais nos apontar o que, no nosso mundo, hoje, aqui e agora, há de cínico e perigoso, de nauseante e de fatal.»
Do Prefácio, de Gabriel Perissé.