Fábulas, último livro integralmente constituído por poemas inéditos de Cabral do Nascimento, teve a sua primeira edição em 1955, pela Portugália Editora, vindo depois a ser incorporado nas duas edições de Cancioneiro (em 1963 e 1976), coletânea onde o autor reuniu toda a sua obra poética da maturidade.
Considerado um dos reinventores da fábula contemporânea, Cabral do Nascimento, com o seu novo fabulário, cria uma imagem decetiva do mundo (e da poesia) do século XX, não alheia ao eco das várias catástrofes que marcaram o seu tempo.
Procurando responder às perguntas "Que mundo contemporâneo é o nosso?" e "O que pode a poesia para o conhecer e tornar mais justo?", as fábulas de Nascimento abandonam o caráter moralizante, assumindo uma dimensão ética, filosófica e até epistemológica.