Esta coleção que a Santa Casa da Misericórdia publica sobre o seu património com interesse histórico, neste caso de património industrial, prossegue com o sexto volume dedicado à Fábrica da Rajá em Monsanto.
Hoje escrevemos uma parte da história desta marca - apenas uma fração de tudo o que representou e marcou, porque a memória desaparece ao longo do tempo, bem como a materialidade. E fazemo-lo a partir do lugar, do espaço industrial, ponto de origem dos produtos que marcaram os dias e as experiências da sociedade portuguesa do século XX. Do espaço físico partimos inevitavelmente para a leitura da memória, imaterial, mas ancorada nos objetos e documentos que persistem em arquivos e coleções, especialmente nos pessoais, neste caso.
A valorização deste passado industrial, um elemento fundamental para a apreciação do trabalho, da inovação e do empreendedorismo, é ainda superficial nos tempos atuais, mesmo com o crescimento dos estudos em arqueologia e património industrial em Portugal, desde os anos 70.
O objetivo que preside a esta coleção pretende a valorização da dimensão patrimonial através do diálogo permanente entre o autor do estudo histórico e o arquiteto responsável pelo projeto de reabilitação, num cruzamento de olhares e experiências complementares que enriquecem quer a leitura sobre o passado, quer as hipóteses de soluções mais adequadas ao funcionamento futuro.