O programa A Noite da Má Língua começava com um
cartoon animado onde um exemplar do Expresso, jornal que
eu dirigia, era metido na sanita - ouvindo-se a seguir o ruído
inconfundível de um autoclismo a descarregar. Depois, o jornalista
Vítor Moura Pinto dizia mal da última edição do jornal
e de mim próprio. Isto acontecia todas as semanas.
Pois bem: muitos anos depois, Júlia Pinheiro considerava
magistrais os comentários de Moura Pinto, elogiava Emídio
Rangel por permitir o programa e felicitava Balsemão por resistir
às minhas supostas queixas. Ou seja, todos eram bons
menos o Saraiva - que, por acaso, era a vítima no meio daquilo.
Já agora esclareço que nunca me queixei a Balsemão.
Semanalmente
o meu jornal era atacado numa televisão que até
fazia parte do mesmo grupo, mas calava-me - porque não está
na minha natureza fazer queixinhas. As queixas, por estranho
que pareça, vinham até do outro lado…