O intuito de revisitar o Realismo literário e, especificamente, a estética realista queirosiana vem da necessidade de requestionar as conexões da ficção realista com a real, de ponderar a sua artisticidade e também de investigar o que há de inovador no posicionamento estético queirosiano.
Pensar o valor do Realismo enquanto corrente estética, nos dias de hoje, implica uma renovada abordagem da ontologia da ficção e uma perspetivação live de preconceitos da mimese entendida como representação. Só partindo da compreensão do jogo interativo entre autor e leitor, que o acreditar a ficção engendra, se poderá abarcar a oculta duplicidade da ficção realista.
Embora fosse pretensão dos escritores realistas dar uma representação o mais fiel possível do real, como romancistas, eles sabem que necessitam de a construir e, por isso, ativam uma série de estratégias e convenções no sentido de criar esse air of reality de que fala Henry James.
Este estudo visa entender a especificidade da pragmática do Realismo literário e procura elaborar uma leitura das estratégias de construção do ficcional acionadas por Eça de Queirós, investigando o modo como o escritor interioriza os procedimentos realistas e a peculiaridade que demonstra no domínio e no agenciamento das suas figurações literárias.