Ou seja: o cascalense condena-se a lisboeta. Demite-se de si mesmo, da sua identidade e vive na dependência da macrocefalia da cidade-íman. É lamentável. A noite de Cascais barulha-se com os invasores que borram as paredes da vila velha, que incomodam os habitantes, que gritam e buzinam, que grasnam e acordam, que insultam e agridem, que perturbam e chateiam, que vomitam nas calçadas e urinam nas esquinas, que despejam garrafas e latas para as águas mansas da baía. E Cascais paga-se, fechando-se em copas, desprezando-se, virando costas ao que o pode identificar como qualidade.
Um burgo não é só paisagem, senhores. Um burgo é as suas gentes, as suas relações e ralações. Um burgo é a capacidade da sua cultura. Pensemos nisso.