A história de Pedro Oliveira Leite impressiona logo desde a infância: deixado
pela mãe, juntamente com três dos seus sete irmãos, aos cuidados da avó
materna, e sem conhecer o pai (cuja identidade só descobriu depois de este
morrer), cresceu num bairro ensombrado pela pobreza e pela droga, flagelo
que colheu um dos seus irmãos. Pedro começou a trabalhar ainda criança,
sem qualificações, mas foi subindo na carreira dentro de uma empresa multinacional
até alcançar um cargo de responsabilidades e bem remunerado. Até ao dia em que, ao
coordenar uma entre várias ações de voluntariado (do Projeto Limpar Portugal) foi
brutalmente colhido por um carro que passou um traço contínuo e projetado a
15 metros, ficando em estado crítico, politraumatizado e com três hemorragias cerebrais.
Nesse momento, chegou a morte que nunca veio: os anos duros de recuperação,
a incapacidade de quase 70 por cento, a condutora que nunca se deu como culpada, a
disputa com a seguradora, as dívidas, a empresa que o abandonou. Pedro Oliveira Leite
tinha tudo para desistir de viver.
Mas não desistiu. Esta é a sua história.