Na madrugada de 24 de fevereiro de 2022, a invasão da Ucrânia pela Rússia irrompe pelas casas, pelos ecrãs e pelas consciências. Teresa assiste, incrédula, à violação de um país soberano e ao sofrimento que rapidamente se tornará manchete em todo o mundo. Enquanto o Kremlin justifica a ofensiva como uma Operação Militar Especial, uma onda de solidariedade ergue-se na Europa para acolher quem foge da guerra. Portugal não fica de fora.
Teresa Avelar, professora universitária e escritora, vive sozinha numa moradia herdada, em Sintra, rodeada de silêncio e rotinas bem definidas. Movida por um impulso que nasce mais do coração do que da razão, decide abrir a sua casa — e a sua vida — ao acolhimento de refugiados ucranianos.
É assim que Olexiy e a filha, Polyna, chegam até si. a jovem de dezassete anos traz consigo o luto pela mãe, morta nos primeiros dias da invasão, quando um míssil destruiu a casa da família, em Chernihiv. Durante algumas semanas, pai e filha encontram em Portugal um refúgio improvável. Mas a guerra não concede tréguas: Olexiy é forçado a regressar à Ucrânia, deixando Polyna entregue aos cuidados de Teresa.
Entre duas mulheres unidas pela perda e pela ausência, constrói-se um quotidiano feito de gestos silenciosos, afetos inesperados e cumplicidades discretas. Enquanto Polyna tenta reconstruir o futuro longe do pai, Teresa descobre em si uma vulnerabilidade que julgava adormecida. o que começou como um simples gesto de solidariedade transforma-se num encontro capaz de abalar certezas, abrir feridas antigas e despertar sentimentos que Teresa jamais imaginara voltar a viver.
Entre a distância, a espera e a ameaça constante da guerra, o amor — frágil, contido, mas profundamente humano — insinua-se, alterando para sempre o rumo das suas vidas.