A Índia está no centro da obra referencial da cultura portuguesa, Os Lusíadas, pois não há comparação possível, naquela síntese ímpar de poema, História e conciliação da cultura nacional com a globalização, e da época com a contemporaneidade. Na Índia estreou Camões o seu auto «Filodemo». A Índia percorre a História e a Literatura, marca a mentalidade como centro de cultura «alternativa» ao espírito europeu, origem de um estilo, referência mitológica, nascente de heróis…
E no entanto, o tema não é tão recorrente, no teatro português, como outras abordagens
temáticas da História, da colonização e da Expansão. África, bem ou mal, surge na
dramaturgia com outro fôlego, e isto, tanto na perspectiva histórica como numa mais
justificável perspectiva política e esta, tanto nos autores portugueses como nos autores
africanos de expressão portuguesa.
Dominados e fascinados pelo esplendor de Os Lusíadas, temos, por vezes, tendência para
esquecer a importância e a constância do tema da Índia no teatro português, desde logo a
partir de Gil Vicente, envolvendo os clássicos e o próprio Camões - dramaturgo e percorrendo
as diversas épocas e estéticas do nosso teatro, de Garrett aos românticos e desde as correntes
realistas - naturalistas aos diversos modernismos, até ao teatro épico e às correntes que hoje
vivemos. E, simultaneamente, olhamos para algum teatro escrito e produzido em Goa,
também de tema e de cultura local.