Este livro analisa o comportamento económico das elites
face à actividade industrial no Alentejo entre os finais do
século XIX e meados do século XX. Apesar de se afirmar,
neste período, a vocação agrária desta região, diferentes
actores foram responsáveis pelo seu desenvolvimento
industrial, integrando a economia alentejana no espaço
nacional e mundial.
A par das empresas de média e de grande dimensão,
orientadas para a exportação de matérias-primas ou de
produtos semi-preparados para a indústria moderna,
persiste uma multidão de oficinas que viviam ancoradas
em bens de consumo regional.
Na actividade mineira, na exploração de pedreiras, na
indústria corticeira, moageira ou têxtil participaram grupos
com diferentes interesses e ligações no Alentejo, entre os
quais as próprias elites agrárias e comerciais aqui
radicadas. O seu papel no desenvolvimento da actividade
bancária e seguradora é realçado, bem como o
comportamento destas instituições. A grande exploração
agrícola do sul, extensiva e latifundiária, quer pelas
matérias-primas que fornecia às indústrias, quer pelos seus
consumos, estruturou esse tecido e definiu os limites do
crescimento industrial. No século XX criaram-se novas
oportunidades de negócio e, durante o Estado Novo, novos
actores aparecem, O industriais afirmam-se então como um
grupo social distinto.