Em seus processos de produção, distribuição e consumo, as indústrias culturais contemporâneas empregam as lógicas do capitalismo. Da América Latina à Europa, líderes da indústria do entretenimento, como os Marinho, no Brasil, Silvio Berlusconi, na Itália ou Rupert Murdoch, nos Estados Unidos, fomentam um cenário de poucas companhias mundiais difundindo cultura para amplas audiências. Neste sentido, o setor audiovisual - e especialmente o sistema televisual, que ainda figura como a indústria cultural que possui maior alcance e representatividade entre as sociedades -, tem sido contemplado com investimentos abissais. Seu espólio, nas últimas três décadas do século XX, caracteriza-se pela desregulamentação, transnacionalização e oligopolização. Tais fatores impulsionaram seu desenvolvimento, mantendo o pleno funcionamento das engrenagens das indústrias culturais. Paralelamente, o incremento tecnológico e a digitalização possibilitaram que atores não-hegemônicos e organizações subalternas também conquistassem novos recintos, proliferando seus conteúdos comunitários e alternativos.