Diógenes tem um hobby: coleccionar coisas. Que tipo
de coisas? Todas. Encontra-as, apanha-as e leva-as
para casa. Acontece que Diógenes vive com os pais,
com a irmã, com o irmão mais novo e com os avós,
e todos eles coleccionam coisas: todo o género de coisas.
Não podem imaginar quão cheia está aquela casa.
E como se isso não bastasse, Diógenes tem um tio
solteiro que também é coleccionista e que os visita
frequentemente com a sua colecção de... cartas de amor.
"Diógenes" é uma micronovela isenta de pedagogia e boas intenções, feita de pequenas peças que
se entrelaçam, mesclam e imiscuem umas nas outras e que, entre o humor absurdo e o afecto,
conduzem o leitor até um final trágico. O protagonista fala da sua família e das suas peculiares
inclinações: o hábito do granjeio, como lhe chama o pai. Os avós conheceram-se a recolher poças
nos dias de chuva; a irmã mais velha acumula objetos inúteis; o mais novo, qualquer coisa que se
possa contar; os pais, qualquer coisa que o filho mais novo possa contar; o tio carteiro colecciona
cartas de amor; Diógenes, tudo: um submarino, uma duna, um bosque de eucaliptos, cinquenta e
sete bóias com os seus respectivos sinos...
Uma terna abordagem à síndrome de Diógenes, com
ilustrações que combinam elementos reais e imaginários,
embelezadas por emotivas pinceladas de cor.