"Hoje, assim que entrei no elevador do prédio depois do trabalho, fiquei inesperadamente perturbada e não consegui ainda sacudir este insistente e corrosivo incómodo.
Entrei no momento em que o vizinho do terceiro esquerdo saía com a filha. Notei um repelão da mão dela, que afastava a dele. Foi tudo muito rápido, mas o que me chocou foi, mais do que os gestos, o olhar de repulsa nela e o olhar de embaraço nele.
Nos tempos que correm, pensamos logo no pior. E um gesto de uma criança, neste caso já adolescente, que pode apenas significar um Chega para lá, que estou chateada contigo, porque não posso fazer o que quero! parece coisa bem pior. Claro que há o olhar do pai, cujo embaraço eu confundi com culpa, mas que pode simplesmente significar A vizinha há de dizer que eu não controlo a garota e que ela está mal-educada! Tudo isto pode ser verdade. Mas qual é definitivamente a verdade? E por que diabo pensamos logo no pior? "