Em Deus Ainda Usa o Windows 10, Tiago Alves Costa constrói uma poesia de atrito: entre o corpo e a máquina, entre o sagrado e o absurdo, entre a fome de sentido e a violência cómica do mundo contemporâneo. Neste livro, a linguagem do quotidiano é desviada para o território da inquietação, onde o riso nunca está muito longe do desamparo.
Ao longo destes poemas, surgem um homem que apanha flores e provoca uma guerra, livros tratados como objectos perigosos, escritores sem função aparente, trabalhadores exaustos e cidadãos suspensos entre a vontade de ruptura e a impotência. O resultado é uma cartografia singular do presente: feroz, melancólica, irónica e profundamente humana. Sem ceder ao comentário fácil nem ao mero jogo conceptual, Tiago Alves Costa faz da poesia um lugar de resistência verbal e emocional.
Deus Ainda Usa o Windows 10 é um livro sobre o colapso, mas também sobre aquilo que, no meio da falha geral do sistema, persiste em querer dizer liberdade, amor, corpo, infância, escrita e, talvez ainda, esperança.