O presente texto é uma exegética sociológica do Estado angolano sitiado entre 1975 e 2002 e cuja normalização constitucional entre 2002-2012 foi na base da cultura de guerra. Os protagonistas da guerra fria - Estados Unidos de América e Rússia - atuaram num teatro de guerra chamado Angola. O conceito de despoder aqui utilizado remete-se a crise epistemológica do Poder, isto é, falta da ordem pelo distúrbio da relação entre quem comanda e quem obedece, tanto como pela perturbação idiossincrática dos traços personalísticos do dirigente e os de dirigidos.
Angola nasceu no despoder assim como nele instituiu os alicerces históricos-legais da república, na experimentação da democracia multipartidária. A ingerência externa forçou Angola a ser um Estado falido, mas em tese, foi mero despoder. Com vontade e abnegação, os angolanos ergueram a paz, construíram as bases da democracia pluralista.
Tudo isso custou uma fatura humana exageradamente elevada. Com essa análise, abre-se o debate em modos de o despoder ser uma memória histórica que estimulasse a consciência social dos angolanos em nunca mais optar pela violência (guerra) em busca de solução das suas diferenças.