Rosa Melo é uma mulher handa que passou pelo ritual de iniciação quando menina, observou-o como companheira das suas contemporâneas e finalmente estudou-o como investigadora, constituindo esta obra uma parte da sua dissertação de doutoramento em Antropologia no ISCTE, em Lisboa.
Este trabalho situa-se entre dois rituais: o do efuko, pelo qual a autora passou a ser considerada como mulher e mãe potencial; o do doutoramento, pelo qual, numa outra sociedade, Rosa, já mãe e viúva, foi consagrada como antropóloga. Entre um momento e outro desenrolou-se grande parte da história da sua vida, parte também da história de Angola e dos angolanos nos tempos pós-coloniais. O trajecto da autora é o de um aprendizado muitas vezes conflituoso, onde se inserem a sua socialização no seio da etnia, a sua educação religiosa, o seu crescimento e maturação como cidadã do novo Estado-nação de Angola, a sua entrada na idade adulta num contexto trágico de guerra, a sua experiência de vida solitária numa sociedade europeia, a dos antigos colonizadores, onde finalmente aprofundou a sua formação científica.