O processo de desenvolvimento do território nacional tem, nas últimas décadas, acentuado a dicotomia Litoral/Interior. A par das assimetrias regionais surgem, cada vez com mais acuidade, clivagens intra-regionais: no interior do Interior aparecem manchas sócio-territoriais profundamente deprimidas, abandonadas, à margem do crescimento económico e do desenvolvimento, sobre as quais paira o fantasma da desertificação.
Esta obra parte da realidade social, económica e político-administrativa de três concelhos do Norte do Distrito de Viseu (Moimenta da Beira, Penedono e Sernancelhe) e é, mais que um trabalho académico, uma verdadeira crónica dos ausentes: as pessoas, porque estamos no imenso "espaço da emigração" e o Estado.
Partindo do conceito de bloqueio político-administrativo, o autor pretende demonstrar que estes concelhos - como outros no país - têm sido vítimas da organização incoerente e ambígua do sistema político-administrativo. A descoincidência entre os diferentes sectores da administração periférica do Estado (Saúde, Educação, Segurança Social, Agricultura...) criou uma dissonância entre os níveis político e administrativo de intervenção, levando o Estado a tornar-se um ausente ou, como diz o autor, um "presente-ausente".