Uma obra que investiga, através de dois estudos, as seguintes questões: a cobertura dos media das temáticas crime e castigo é um relato tão objetivo e desprovido de valores como a imagem tradicional do jornalismo deixa transparecer? Ou será que o discurso jornalístico favorece certos entendimentos da ordem social e da posição que diferentes grupos de indivíduos devem ocupar nela?
Num dos estudos, são analisados e discutidos os termos em que as ofensas sexuais e a
violência contra as mulheres ocorrida no espaço privado foram sendo mediatizados ao longo
das últimas décadas. No outro estudo, examinam-se as ideias e os argumentos veiculados pela
imprensa sobre a prisão, confrontando-os com a crítica de alguns atores do sistema de justiça,
bem como com as percepções de tipos diferentes tipos de públicos.
O livro mostra como as construções mediáticas da vitimização, do crime, dos seus agentes e do
seu controlo legitimam ou contestam hierarquias sociais, normalizam ou contrariam
desequilíbrios de poder baseados no género e noutras categorias sociológicas com as quais o
género se intersecta.