Estar na recepção de um
hotel, a atender os hóspedes que aparecem, não impede
Antónia de recordar Carolina e a sua audácia e de afirmar
que «na sofreguidão dos automóveis que vão e vêm apenas
encontro o vazio; o vazio das horas em que ando à procura
de mim, de ti, Ana, de nós».
Este livro, escrito com um estilo vigoroso e pleno de
bom gosto, onde há imagens e descrições de finíssima qualidade
literária, toma conta de nós e surpreende-nos muitas
vezes pelo inusitado das análises da mente humana, em que
está indistinta e ténue a separação entre o que é chamado
normal e o que é considerado, pelos outros, doença mental