Um livro que surpreende pela sensibilidade da autora e pela acutilância com que nos mostra o mundo e em que cada poema, apesar de funcionar como uma unidade, contribui para a circularidade da obra.
O livro começa e acaba com a visão que o poeta tem de umas crianças a brincar, lá fora, alheadas, embora não totalmente, do mundo aflito dos adultos, que recriam de forma inocente através de palavras - e tu matavas-me e eu morria - e de imagens que ilustram o livro. Esse mundo é visto também pelo poeta, mas de um modo consciente e sofrido, encarnando a pele de muitas vozes sem voz incluídas no poema Regresso: esvazio-me de mim para me encher dos outros.
As imagens aparecem como um outro "texto", formando um paralelo com os poemas e dialogando com os textos em prosa (inicial e final): As crianças brincam; sonham acordadas; para elas a realidade é um sonho.
A história de cada um de nós continuará inevitavelmente a fazer-se, no meio de tristezas, alegrias, traições e outras vicissitudes, visíveis no poemas mas apesar disso, o céu continua azul e o sol a brilhar. Ilumina as crianças inocentes, os que choram e os que riem. É redondo e brilhante e está a espreitar por detrás daquela nuvem branca...
A mensagem final é de esperança e de alento:
Bom é ao fim da viagem chegar
E sentir que o caminho foi cumprido
Olhar o céu, sorrir agradecido!
nesta vida que é dura e difícil, com inimigos reais e criados, mas que é preciso combater com força e energia, para chegar ao fim e dizer que valeu a pena, por isso em O Dia Declina se luta para sobreviver e é preciso imaginação para vencer o caminho.